quarta-feira, 29 de abril de 2015

ASSIM É QUE NÃO DÁ / DUELO DE SOMBRAS * Antonio Cabral Filho - Rj

DUELO DE SOMBRAS
*
ASSIM É QUE NÃO DÁ

Vacilo alguns instantes
antes de alcançar papel e caneta
Estou meio confuso com tudo à minha volta
o ambiente é terrível
mas sou poeta e trabalho
com a realidade onde estou
Em meio a bêbados viciados
vagabundos e o comércio do corpo
não sei mais o que se vende mais
sei que eu passo a passo lento e sem pressa
como fumaça no filtro do cigarro
não sei se impregno ou se sou impregnado
Sei que nesse mar eu remo
entre os vendedores de pipoca
churrasco cachaça balas e doces
e ócio barato
onde o pato é o rato
que pula demais se atrapalha
e dorme na palha
E olho nenhum ignora o que vê
por mais espessa que seja a repulsa
cravada em suas retinas
e toda indiferença é inútil
e nós temos de nos dar as mãos
pra avançar
e todo isolamento se quebra
e o pântano é terra firme
pra caminhar
e o medo é experiência segura
a nos ensinar
que não dá pra cruzar os braços
e ficar olhando o próprio atropelamento

*

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